Febre em uma criança pode acontecer por várias causas. Nem toda febre significa dengue, mas alguns sintomas associados devem ser avaliados com atenção, especialmente em períodos de maior circulação do vírus.
A dengue é uma infecção transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. A maioria das crianças evolui bem, mas algumas podem desenvolver formas graves. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é fundamental.
O cuidado deve ser redobrado porque a fase de maior risco pode começar justamente quando a febre diminui.
Quais são os sintomas mais comuns da dengue?
A dengue costuma começar de forma repentina. Os sintomas podem incluir:
- febre alta;
- dor de cabeça;
- dor atrás dos olhos;
- dor no corpo ou nas articulações;
- cansaço intenso;
- enjoo ou náusea;
- vômitos;
- manchas vermelhas na pele;
- falta de apetite.
Nas crianças pequenas, nem sempre é fácil identificar dor de cabeça ou dor atrás dos olhos. Nesses casos, os responsáveis devem observar mudanças no comportamento, irritabilidade, prostração, recusa alimentar e choro diferente do habitual.
A presença desses sintomas não confirma sozinha o diagnóstico. A criança precisa ser avaliada por um profissional de saúde, principalmente quando a febre é alta, persiste ou vem acompanhada de piora do estado geral.
Quando a dengue pode piorar?
A dengue apresenta diferentes fases. Um momento que exige atenção especial ocorre quando a febre começa a baixar, geralmente entre o 3º e o 7º dia após o início dos sintomas.
A queda da febre não significa necessariamente que a doença acabou. Em alguns casos, é nesse período que surgem os sinais de alarme associados ao extravasamento de plasma e à possibilidade de evolução para dengue grave.
Por isso, os pais devem continuar observando a criança mesmo depois que a temperatura diminui.
Quais são os sinais de alarme da dengue?
Procure atendimento imediatamente se a criança apresentar:
- dor abdominal intensa e contínua;
- vômitos persistentes;
- sangramento no nariz ou na gengiva;
- sangue nas fezes ou vômito com sangue;
- sonolência excessiva ou dificuldade para despertar;
- irritabilidade intensa ou comportamento muito diferente do habitual;
- tontura, fraqueza intensa ou sensação de desmaio;
- dificuldade para respirar;
- pouca urina;
- mãos e pés frios;
- pele muito pálida, fria ou arroxeada;
- incapacidade de ingerir líquidos;
- piora importante depois que a febre diminuiu.
Esses sinais podem indicar desidratação, sangramento ou comprometimento da circulação. A criança deve ser levada imediatamente a um serviço de saúde.
Não espere a criança ficar inconsciente ou apresentar sangramento intenso para procurar ajuda.
Crianças pequenas precisam de atenção especial
Bebês e crianças pequenas podem não conseguir explicar o que estão sentindo. Além disso, podem perder líquidos mais rapidamente quando apresentam febre, vômitos ou baixa ingestão de líquidos.
Procure avaliação médica mais cedo se a criança:
- tiver menos de 2 anos;
- estiver mamando ou bebendo muito menos que o habitual;
- apresentar redução das fraldas molhadas;
- estiver muito sonolenta ou irritada;
- tiver alguma doença crônica;
- possuir anemia falciforme, asma, diabetes ou outra condição relevante;
- já tiver tido dengue anteriormente;
- apresentar dificuldade para manter líquidos.
Em crianças, a avaliação do estado geral é tão importante quanto a temperatura medida no termômetro.
O que fazer enquanto aguarda avaliação?
Se houver suspeita de dengue, algumas medidas podem ser adotadas enquanto a criança é observada ou encaminhada para atendimento:
- oferecer líquidos em pequenas quantidades e com frequência;
- manter o aleitamento materno;
- estimular repouso;
- observar a quantidade de urina;
- registrar o horário de início da febre e dos demais sintomas;
- informar ao médico quais medicamentos foram utilizados;
- proteger a criança contra novas picadas de mosquito.
A hidratação é uma das principais medidas de suporte. A quantidade e a forma de reposição dependem da idade, do peso, dos sintomas e do estado de hidratação da criança.
Se houver vômitos persistentes ou recusa de líquidos, não insista apenas no cuidado domiciliar: procure atendimento.
Quais medicamentos devem ser evitados?
Na suspeita de dengue, não se deve medicar a criança por conta própria.
Evite oferecer, sem orientação médica:
- ácido acetilsalicílico, como AAS ou aspirina;
- ibuprofeno;
- naproxeno;
- diclofenaco;
- outros anti-inflamatórios.
Esses medicamentos podem aumentar o risco de sangramento em determinadas situações.
Medicamentos para febre ou dor, como paracetamol ou dipirona, só devem ser administrados na dose adequada para a criança e conforme orientação profissional. Não combine medicamentos nem repita doses sem conferir a recomendação médica.
A criança com dengue precisa fazer exame?
A necessidade e o momento dos exames dependem da avaliação clínica, do tempo de doença, da idade e dos sintomas apresentados.
Não é recomendado esperar o resultado de um exame para procurar atendimento quando existem sinais de alarme.
O médico pode avaliar a hidratação, a circulação, o estado geral e a necessidade de exames ou acompanhamento. Em alguns casos, a criança precisa retornar para reavaliação, mesmo que tenha recebido orientação inicial para permanecer em casa.
Como prevenir a dengue?
A principal forma de prevenção continua sendo evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Verifique regularmente:
- caixas-d’água;
- calhas;
- ralos;
- vasos de plantas;
- pneus;
- garrafas;
- recipientes plásticos;
- bandejas de ar-condicionado;
- piscinas e brinquedos deixados ao ar livre.
Também podem ser utilizados:
- telas nas janelas;
- mosquiteiros;
- repelentes adequados para a idade, seguindo as instruções do fabricante;
- roupas que cubram braços e pernas em áreas de transmissão.
Uma criança com suspeita ou diagnóstico de dengue também deve ser protegida contra picadas. Se um mosquito picar a criança infectada, poderá transmitir o vírus para outras pessoas.
Existe vacina contra a dengue?
A vacina contra a dengue faz parte das estratégias de imunização do Sistema Único de Saúde. A indicação depende da idade, do histórico vacinal, da disponibilidade de doses e das orientações vigentes para cada município ou região.
Em Alagoas, documentos da Secretaria de Estado da Saúde registram estratégias de vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em regiões selecionadas.
Pais e responsáveis devem procurar um serviço de vacinação para confirmar:
- se a criança está incluída no público-alvo;
- se há doses disponíveis;
- quantas doses são indicadas;
- se existe alguma contraindicação;
- se a caderneta está atualizada.
A vacinação é uma ferramenta importante, mas não substitui o combate aos criadouros do mosquito nem a avaliação médica diante de sintomas.
Perguntas frequentes
Toda criança com febre precisa fazer teste para dengue?
Não necessariamente. A indicação do exame depende da avaliação médica, do tempo de sintomas, da circulação de dengue na região e do estado clínico da criança.
Se a febre baixou, posso parar de observar?
Não. A fase crítica pode começar justamente quando a febre diminui, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia da doença. Continue observando sinais como dor abdominal, vômitos persistentes, sangramento, prostração e redução da urina.
Dengue causa manchas vermelhas sempre?
Não. As manchas podem aparecer, mas sua ausência não exclui dengue. Também é possível que manchas ocorram em outras infecções.
Posso dar ibuprofeno para a febre?
Não ofereça ibuprofeno, AAS, aspirina, diclofenaco, naproxeno ou outros anti-inflamatórios por conta própria quando houver suspeita de dengue. Procure orientação médica sobre o medicamento e a dose apropriados.
Quando devo levar a criança ao pronto atendimento?
Leve imediatamente se houver sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento, dificuldade para respirar, sonolência excessiva, desmaio, pouca urina ou incapacidade de beber líquidos.
Quando procurar a Pediatria Maceió?
A suspeita de dengue merece avaliação pediátrica quando a febre é acompanhada de dor no corpo, dor de cabeça, vômitos, manchas, prostração ou qualquer alteração importante no comportamento da criança.
O pronto atendimento pediátrico da Pediatria Maceió funciona todos os dias, das 7h às 22h, para avaliação de crianças e adolescentes.
A clínica está localizada na Av. Júlio Marques Luz, 529, Jatiúca, Maceió/AL.
Informações: (82) 3231-7742
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação médica individual.
Conteúdo sob responsabilidade de Dr. Marcos Gonçalves, médico pediatra e alergista, CRM/AL 6385, RQE 5040.
Fontes consultadas
- Ministério da Saúde — Dengue
- Ministério da Saúde — Quais são os sinais de alarme?
- Ministério da Saúde — Diagnóstico e manejo clínico da dengue em adultos e crianças
- Saúde Alagoas — Plano de enfrentamento das arboviroses para 2026
- Secretaria Municipal de Saúde de Maceió — Riscos da automedicação em suspeita de dengue
