Tosse, coriza e febre são sintomas comuns em infecções respiratórias da infância. Porém, em algumas situações, a criança pode apresentar esforço para respirar, sinal de que precisa ser avaliada por um médico.
A dificuldade respiratória nem sempre aparece como uma queixa clara de “falta de ar”. Bebês e crianças pequenas podem demonstrar o problema por meio de respiração acelerada, dificuldade para mamar, irritabilidade, sonolência ou cansaço fora do habitual.
O mais importante não é observar apenas a tosse ou a temperatura, mas perceber como a criança está respirando e como está seu estado geral.
Quais sinais indicam esforço para respirar?
Os principais sinais de alerta são:
- respiração muito rápida, especialmente quando a criança está em repouso;
- afundamento entre as costelas ou abaixo delas ao respirar;
- pele afundando na região do pescoço;
- abertura exagerada das narinas;
- gemência ou “grunhido” durante a respiração;
- chiado intenso ou respiração muito ruidosa;
- dificuldade para falar, chorar, mamar ou beber;
- pausas na respiração;
- cansaço desproporcional;
- lábios, rosto ou extremidades arroxeados;
- sonolência excessiva, prostração ou dificuldade para despertar.
O afundamento das costelas, conhecido como tiragem, ocorre quando a criança precisa fazer muito esforço para puxar o ar. Esse sinal merece atenção, principalmente quando aparece junto com respiração rápida ou alteração da cor da pele.
Respiração rápida é sempre falta de ar?
Não necessariamente. A frequência respiratória pode aumentar durante o choro, após esforço físico ou por causa da febre.
Mesmo assim, a respiração deve ser observada novamente quando a criança estiver mais calma. Se continuar muito acelerada ou acompanhada de esforço, chiado intenso, cansaço ou dificuldade para se alimentar, é necessário procurar avaliação médica.
Não é seguro comparar a respiração de uma criança com a de outra ou tentar avaliar a gravidade apenas por vídeos. A idade, a temperatura, a doença e as condições clínicas individuais interferem na avaliação.
Quando o chiado no peito preocupa?
O chiado é um som agudo que pode aparecer durante a passagem do ar pelas vias respiratórias. Ele pode ocorrer em quadros como bronquiolite, asma, infecções virais e outras condições.
O chiado merece avaliação mais rápida quando:
- é intenso ou contínuo;
- surge junto com respiração acelerada;
- vem acompanhado de afundamento das costelas;
- impede a criança de dormir, mamar ou falar;
- aparece com lábios arroxeados;
- ocorre em uma criança muito pequena;
- está piorando progressivamente.
Nem todo chiado significa asma, e nem todo episódio deve ser tratado com o mesmo medicamento. A causa precisa ser investigada.
Bebês exigem atenção especial
Bebês, especialmente os menores de 2 anos, têm vias respiratórias menores e podem piorar mais rapidamente durante algumas infecções.
Na bronquiolite, por exemplo, o quadro pode começar com coriza, espirros e tosse. Depois, podem surgir chiado, respiração rápida e dificuldade para mamar.
Procure atendimento imediatamente se o bebê apresentar:
- dificuldade para respirar;
- respiração muito rápida;
- costelas ou pescoço afundando ao respirar;
- dificuldade para mamar;
- redução importante da ingestão de líquidos;
- menos fraldas molhadas;
- pausas na respiração;
- lábios ou unhas arroxeados;
- sonolência excessiva ou prostração;
- piora dos sintomas de resfriado.
A dificuldade para mamar é um sinal especialmente importante. O bebê pode interromper as mamadas porque precisa parar para respirar, ficar cansado rapidamente ou não conseguir coordenar sucção e respiração.
Quando levar a criança imediatamente ao pronto atendimento?
Procure atendimento pediátrico imediato quando houver:
- esforço visível para respirar;
- respiração muito rápida persistente;
- afundamento das costelas ou da região do pescoço;
- gemência;
- pausas respiratórias;
- lábios ou extremidades arroxeados;
- incapacidade de mamar, beber ou falar;
- sonolência intensa ou dificuldade para despertar;
- piora rápida do quadro;
- criança muito abatida ou com pouca resposta;
- suspeita de aspiração de corpo estranho;
- tosse súbita acompanhada de dificuldade para respirar.
Esses sinais podem aparecer em infecções virais, bronquiolite, pneumonia, crise de asma, reação alérgica, engasgo e outras situações. A causa não pode ser definida apenas pela observação em casa.
Tosse e febre: quando observar e quando procurar ajuda?
Tosse e febre isoladas podem ocorrer em quadros leves, especialmente quando a criança:
- mantém boa disposição entre os episódios;
- consegue beber líquidos;
- aceita alimentos dentro do habitual;
- urina normalmente;
- respira sem esforço;
- não apresenta alteração da cor da pele;
- permanece responsiva e interagindo.
Mesmo nesses casos, é necessário acompanhar a evolução. Procure atendimento se a febre persistir, se a tosse piorar ou se surgirem sinais de dificuldade respiratória.
A febre também pode aumentar temporariamente a frequência respiratória. Entretanto, a persistência da respiração acelerada ou do esforço depois que a criança está calma merece avaliação.
O que fazer enquanto procura atendimento?
Enquanto se dirige ao serviço de saúde:
- mantenha a criança em posição confortável, preferencialmente com o tronco elevado;
- evite deitá-la completamente se isso piorar a respiração;
- mantenha a calma e reduza o choro, quando possível;
- ofereça líquidos apenas se a criança estiver conseguindo engolir sem se cansar;
- não force alimentos ou líquidos se houver dificuldade para respirar;
- leve a caderneta de vacinação e a lista de medicamentos utilizados;
- informe quando os sintomas começaram e se houve piora recente.
Se a criança estiver muito cansada, arroxeada, inconsciente ou com pausas respiratórias, a prioridade é buscar ajuda de emergência imediatamente.
O que não fazer?
Evite:
- oferecer antibiótico por conta própria;
- usar xaropes sem orientação médica;
- repetir nebulizações ou medicamentos prescritos para outra crise sem avaliação;
- utilizar sobras de corticoides ou broncodilatadores;
- esperar a criança “ficar roxa” para procurar ajuda;
- tentar diagnosticar pneumonia, bronquiolite ou asma apenas por vídeos;
- expor a criança à fumaça de cigarro, perfumes fortes ou outros irritantes.
Um medicamento que ajudou em uma crise anterior pode não ser adequado para o quadro atual. A dificuldade para respirar pode ter várias causas e algumas exigem tratamento diferente.
Como prevenir infecções respiratórias graves?
Algumas medidas reduzem o risco de infecções e complicações:
- manter a vacinação atualizada;
- higienizar as mãos com frequência;
- evitar contato próximo entre bebês e pessoas gripadas ou resfriadas;
- manter os ambientes ventilados;
- evitar aglomerações durante períodos de maior circulação viral;
- não expor crianças à fumaça de cigarro;
- não levar a criança doente à escola ou à creche;
- manter o aleitamento materno, quando possível;
- limpar objetos e superfícies de uso frequente.
A vacinação contra influenza e outras vacinas do calendário devem ser mantidas conforme as recomendações vigentes. Para alguns bebês e crianças com condições específicas, podem existir estratégias adicionais de proteção contra o vírus sincicial respiratório.
A orientação deve ser individualizada pelo pediatra e pelo serviço de vacinação.
Dificuldade para respirar pode ser alergia?
Sim. Uma reação alérgica pode causar inchaço nos lábios ou na língua, rouquidão, tosse, chiado e dificuldade para respirar.
Se esses sintomas surgirem de forma rápida após a ingestão de um alimento, uso de medicamento ou contato com alguma substância, procure atendimento imediatamente.
A dificuldade respiratória associada a inchaço no rosto, urticária, palidez, vômitos repetidos ou desmaio pode indicar uma reação grave.
Perguntas frequentes
Como saber se a criança está respirando rápido demais?
Observe a criança quando ela estiver calma, sem chorar ou correr. Veja se o peito sobe e desce muito rapidamente ou se há esforço para puxar o ar. A avaliação correta depende da idade e do estado clínico, por isso a persistência do sinal deve ser examinada por um profissional.
O chiado no peito é sempre asma?
Não. O chiado pode aparecer em diferentes doenças respiratórias, especialmente em infecções virais e bronquiolite. O diagnóstico depende da história, do exame físico e da evolução do quadro.
Febre pode deixar a respiração mais rápida?
Pode. A febre e o choro podem aumentar temporariamente a frequência respiratória. Se a respiração continuar acelerada quando a criança estiver calma ou vier acompanhada de esforço, procure avaliação.
Criança com tosse precisa ir ao pronto atendimento?
Nem toda tosse exige atendimento imediato. Porém, a criança deve ser avaliada rapidamente se houver dificuldade para respirar, respiração acelerada persistente, lábios arroxeados, prostração, dificuldade para beber ou piora progressiva.
Quando a dificuldade para respirar é uma emergência?
Quando há esforço intenso, afundamento das costelas, coloração arroxeada, pausas respiratórias, incapacidade de mamar ou falar, sonolência excessiva, desmaio ou piora rápida do estado geral.
Quando procurar a Pediatria Maceió?
A dificuldade para respirar em crianças não deve ser observada por muito tempo em casa quando há esforço respiratório, alteração da cor da pele, sonolência, dificuldade para mamar ou piora progressiva.
O pronto atendimento pediátrico da Pediatria Maceió funciona todos os dias, das 7h às 22h, para avaliação de crianças e adolescentes.
A clínica está localizada na Av. Júlio Marques Luz, 529, Jatiúca, Maceió/AL.
Informações: (82) 3231-7742
Veja também:
- Otite em crianças: causas, sintomas e tratamento;
- Febre em crianças: quando procurar o pronto atendimento;
- Dengue em crianças: sinais de alerta e quando procurar atendimento.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação médica individual.
Conteúdo sob responsabilidade de Dr. Marcos Gonçalves, médico pediatra e alergista, CRM/AL 6385, RQE 5040.
Fontes consultadas
- Ministério da Saúde — Bronquiolite Viral Aguda
- Ministério da Saúde — Guia de orientações para profissionais de saúde sobre SRAG
- Ministério da Saúde — Síndrome Respiratória Aguda Grave
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Alerta sobre doenças respiratórias em bebês
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Pneumonia adquirida na comunidade na infância
