A dor abdominal é uma queixa frequente na infância. Pode estar relacionada a gases, constipação, infecções, alimentação, ansiedade ou outras condições.
Na maioria das vezes, a dor é passageira. Porém, algumas características indicam que a criança precisa ser avaliada por um pediatra.
A dor abdominal não permite definir sozinha a causa do problema. É necessário observar a criança como um todo, incluindo:
- intensidade da dor;
- localização;
- duração;
- evolução;
- relação com alimentação e evacuação;
- presença de febre;
- vômitos;
- alterações nas fezes;
- comportamento;
- hidratação;
- capacidade de brincar, comer e se movimentar.
Como a criança demonstra que está com dor?
Bebês e crianças pequenas
Podem apresentar:
- choro diferente do habitual;
- irritabilidade;
- encolhimento das pernas;
- dificuldade para dormir;
- recusa para mamar ou comer;
- mudança nas evacuações;
- vômitos;
- barriga distendida;
- menor quantidade de urina;
- dificuldade para ser consolada.
Nem todo choro significa dor abdominal, mas uma mudança persistente no comportamento merece atenção.
Crianças maiores
Geralmente conseguem indicar onde dói, mas a localização pode mudar ao longo do quadro.
Pergunte:
- onde começou a dor;
- para onde ela se deslocou;
- se é cólica, pontada, queimação ou pressão;
- quando começou;
- se piora ao andar, tossir, comer ou evacuar;
- se há febre, vômito, diarreia ou ardência ao urinar.
Não pressione repetidamente a barriga da criança para tentar descobrir a causa. Isso pode aumentar o desconforto e não substitui o exame médico.
Quando procurar atendimento imediatamente?
Leve a criança para avaliação urgente se a dor abdominal vier acompanhada de:
- dor intensa ou que piora progressivamente;
- barriga muito distendida, endurecida ou extremamente dolorosa;
- vômitos persistentes;
- vômito esverdeado;
- sangue no vômito ou nas fezes;
- fezes muito escuras;
- febre persistente ou sem causa aparente;
- prostração ou dificuldade para despertar;
- palidez, suor frio ou aparência muito abatida;
- sinais de desidratação;
- recusa persistente de líquidos;
- pouca urina;
- dificuldade para respirar;
- dor após uma pancada ou acidente;
- suspeita de ingestão de objeto ou produto tóxico;
- dor intensa ao urinar ou sangue na urina;
- dor ou inchaço no testículo;
- desmaio;
- perda de peso ou dificuldade para crescer.
Em adolescentes, dor abdominal intensa associada a desmaio, sangramento vaginal inesperado ou possibilidade de gestação também exige avaliação imediata.
Dor abdominal em bebês: quando procurar ajuda?
Bebês não conseguem explicar o que sentem. Por isso, os responsáveis devem observar a combinação de sinais.
Procure atendimento quando o bebê apresentar:
- choro inconsolável;
- recusa persistente para mamar;
- vômitos repetidos;
- vômito verde;
- barriga muito inchada;
- sangue nas fezes;
- febre;
- sonolência fora do habitual;
- dificuldade para respirar;
- redução importante das fraldas molhadas;
- aparência pálida ou muito abatida.
Em bebês pequenos, a piora pode ser rápida. Na dúvida sobre uma dor persistente ou uma mudança importante de comportamento, procure avaliação médica.
Dor abdominal com febre
Febre e dor abdominal podem ocorrer em infecções virais, infecção urinária, inflamações intestinais e outras condições.
A combinação merece atenção especial quando houver:
- febre alta ou persistente;
- dor forte;
- vômitos repetidos;
- prostração;
- recusa de líquidos;
- dor ao urinar;
- sangue nas fezes;
- barriga distendida;
- manchas na pele;
- piora progressiva.
Não é possível definir a causa apenas pela temperatura ou pela localização da dor. O exame clínico é importante.
Dor abdominal com vômitos
Um episódio isolado de vômito pode acompanhar indisposição ou infecção. Porém, procure atendimento se:
- os vômitos forem repetidos;
- a criança não conseguir manter líquidos;
- o vômito for verde;
- houver sangue;
- a criança estiver muito sonolenta;
- a barriga estiver distendida;
- houver dor intensa;
- a urina diminuir;
- surgirem sinais de desidratação.
Não force a alimentação e não ofereça medicamentos contra náusea sem orientação pediátrica.
Dor abdominal com diarreia
Dor, diarreia e vômitos podem ocorrer em gastroenterites. Nesses casos, a principal preocupação é a desidratação.
Observe:
- boca seca;
- ausência de lágrimas;
- olhos fundos;
- pouca urina;
- sonolência;
- fraqueza;
- recusa de líquidos;
- sangue nas fezes;
- piora do estado geral.
A criança deve receber o cuidado de hidratação orientado para sua idade e condição clínica. Se houver sinais de desidratação, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou prostração, procure atendimento.
Veja também: Diarreia e desidratação infantil: sinais de alerta.
Dor abdominal recorrente
Algumas crianças têm episódios repetidos de dor abdominal sem sinais de doença grave. Esses quadros podem estar relacionados a distúrbios funcionais do eixo intestino-cérebro-microbioma, constipação, alimentação, ansiedade ou estresse.
Isso não significa que a dor seja inventada ou “manha”. A dor é real e deve ser acolhida.
Marque uma avaliação pediátrica quando a dor:
- acontece com frequência;
- interfere nas brincadeiras ou na escola;
- acorda a criança durante a noite;
- está associada a perda de peso;
- vem acompanhada de vômitos recorrentes;
- altera o hábito intestinal;
- aparece sempre depois de determinados alimentos;
- causa medo persistente de comer;
- não melhora com as medidas orientadas.
O pediatra poderá decidir se é necessário acompanhar, tratar constipação, investigar alimentação ou encaminhar para um gastroenterologista pediátrico.
Dor abdominal crônica: quais sinais exigem investigação?
A dor que persiste ou se repete durante semanas precisa ser avaliada, especialmente quando há sinais de alerta, como:
- perda de peso;
- desaceleração do crescimento;
- febre sem explicação;
- dor que acorda a criança;
- dor que interrompe atividades;
- vômitos sem causa clara;
- diarreia noturna;
- sangue nas fezes;
- dor persistente em uma região específica;
- dificuldade ou dor para engolir;
- alterações na região ao redor do ânus;
- histórico familiar de doença celíaca, doença inflamatória intestinal ou outras doenças digestivas.
Nem toda dor recorrente exige exames de imagem. A necessidade de exames depende da história, do exame físico e da avaliação do pediatra.
Dor no lado direito é sempre apendicite?
Não.
A dor no lado direito pode ter várias causas e a localização, sozinha, não confirma apendicite. Outras condições também podem provocar dor nessa região.
A apendicite é uma das possibilidades quando a dor é progressiva, especialmente se vier acompanhada de perda de apetite, náusea, vômitos, febre, dificuldade para andar ou dor que piora com o movimento.
Mas outras causas também precisam ser consideradas. Não tente diagnosticar apendicite em casa nem espere a dor ficar insuportável para procurar avaliação.
O que fazer enquanto observa a criança?
Se a dor for leve, a criança estiver ativa e não houver sinais de alerta:
- mantenha a criança em repouso relativo;
- ofereça líquidos em pequenas quantidades;
- ofereça alimentação habitual conforme a aceitação;
- observe evacuações e urina;
- registre horário, duração e evolução da dor;
- observe a presença de febre, vômitos ou diarreia;
- mantenha contato com o pediatra se o sintoma persistir.
Não obrigue a criança a comer.
O que não fazer?
Não:
- dê antibiótico por conta própria;
- ofereça laxante ou antidiarreico sem orientação;
- use anti-inflamatórios para tentar “disfarçar” a dor;
- faça restrições alimentares importantes sem investigação;
- dê vários medicamentos ao mesmo tempo;
- use receitas caseiras;
- pressione repetidamente a barriga;
- espere vários dias diante de uma piora progressiva;
- descarte informações sobre fezes, vômitos ou urina;
- conclua que a dor é emocional antes de uma avaliação adequada.
Medicar sem conhecer a causa pode atrasar o diagnóstico ou agravar alguns problemas.
Como registrar a evolução da dor?
Um registro simples pode ajudar o pediatra. Anote:
- horário de início;
- local da dor;
- intensidade aproximada;
- duração;
- relação com refeições;
- evacuação e aparência das fezes;
- presença de febre;
- episódios de vômito;
- quantidade de urina;
- medicamentos administrados;
- atividades que pioram ou melhoram;
- impacto no sono, na alimentação e nas brincadeiras.
Em crianças pequenas, descreva também mudanças de comportamento, choro, postura e aceitação de líquidos.
Perguntas frequentes
Toda dor de barriga precisa de pronto atendimento?
Não. Dores leves, breves e sem outros sintomas podem ser observadas, desde que a criança permaneça bem e a dor não evolua.
Procure atendimento se a dor for forte, persistente, piorar ou vier acompanhada de sinais de alerta.
Criança com prisão de ventre pode ter dor abdominal?
Sim. A constipação pode causar dor, distensão, esforço para evacuar e fezes endurecidas. Porém, a causa deve ser confirmada e o tratamento orientado pelo pediatra, principalmente se houver vômitos, sangue nas fezes ou distensão importante.
Posso dar remédio para dor?
Não medique a criança por conta própria. A escolha do medicamento e da dose depende da idade, do peso, da causa provável e das condições de saúde.
Dor abdominal pode ser ansiedade?
Pode. Situações emocionais podem participar de alguns quadros de dor funcional. Porém, isso não deve ser presumido sem avaliação, especialmente quando há sinais de alerta.
Quando a dor abdominal é uma emergência?
Quando é intensa ou progressiva, quando a barriga está muito distendida ou endurecida, quando há vômitos persistentes, sangue, febre com prostração, desidratação, dificuldade para respirar, desmaio, trauma ou alteração importante do estado geral.
Quando procurar a Pediatria Maceió?
A avaliação pediátrica é indicada quando a dor abdominal persiste, recorre, interfere na rotina ou vem acompanhada de outros sintomas.
Procure atendimento no mesmo dia se houver dor importante, vômitos, febre, recusa de líquidos, sinais de desidratação ou dúvida sobre a evolução.
Em situações como prostração intensa, desmaio, sangue nas fezes ou no vômito, barriga muito distendida, dificuldade para respirar ou piora rápida, procure uma emergência ou acione o SAMU 192.
A Pediatria Maceió está localizada na Av. Júlio Marques Luz, 529, Jatiúca, Maceió/AL.
Informações: (82) 3231-7742
Veja também:
- Diarreia e desidratação infantil: sinais de alerta;
- Febre em crianças: quando procurar o pronto atendimento;
- Intoxicação infantil: o que fazer após ingerir remédio ou produto de limpeza.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação médica individual.
Conteúdo sob responsabilidade de Dr. Marcos Gonçalves, médico pediatra e alergista, CRM/AL 6385, RQE 5040.
Fontes consultadas
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Dor na infância: como reconhecer e quais sinais de alerta?
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Dor abdominal crônica
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Dor abdominal crônica na infância e adolescência
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Principais queixas nos consultórios e emergências
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Exames complementares na Gastroenterologia Pediátrica
