A convulsão acontece quando há uma alteração temporária na atividade elétrica do cérebro.
A criança pode apresentar:
- abalos ou tremores no corpo;
- rigidez muscular;
- perda de consciência;
- olhar fixo;
- ausência de resposta;
- movimentos repetitivos;
- desvio dos olhos;
- alteração da respiração;
- perda de urina ou fezes.
Nem toda crise convulsiva provoca tremores no corpo inteiro. Em alguns casos, a criança apenas fica parada, com o olhar distante e sem responder por alguns segundos.
Uma convulsão não significa necessariamente que a criança tenha epilepsia. Infecções, febre, alterações metabólicas, traumatismos, intoxicações e outras condições podem estar relacionadas a uma crise.
O que fazer durante uma convulsão?
Se a criança estiver convulsionando:
- mantenha a calma;
- coloque-a no chão ou em uma superfície segura;
- afaste móveis, objetos duros e quinas próximas;
- proteja a cabeça com algo macio;
- vire a criança cuidadosamente de lado, se possível;
- afrouxe roupas apertadas ao redor do pescoço;
- marque o horário em que a crise começou;
- observe a respiração e a duração dos movimentos;
- permaneça ao lado da criança até a crise terminar.
A posição lateral ajuda a manter a via respiratória protegida depois que os movimentos diminuem.
O que não fazer durante a crise?
Não:
- coloque os dedos na boca da criança;
- coloque colher, pano, objeto ou medicamento entre os dentes;
- tente puxar a língua;
- ofereça água, comida ou remédio;
- segure braços e pernas para impedir os movimentos;
- tente interromper a crise à força;
- jogue água no rosto;
- faça respiração boca a boca enquanto a criança estiver respirando;
- deixe a criança sozinha;
- tente transportá-la durante os movimentos, exceto se o local oferecer perigo.
Colocar objetos na boca pode causar ferimentos, quebrar dentes ou provocar obstrução da via respiratória.
A criança não “engole a língua” durante uma convulsão. O mais importante é protegê-la de ferimentos e acompanhar a respiração.
Quando chamar o SAMU 192?
Acione o SAMU 192 imediatamente quando:
- for a primeira convulsão da criança;
- a crise durar 5 minutos ou mais;
- uma crise começar antes de a criança recuperar a consciência da anterior;
- a respiração não voltar ao normal após o episódio;
- a criança ficar arroxeada ou não responder;
- houver ferimento importante;
- a convulsão acontecer após uma pancada na cabeça;
- houver suspeita de intoxicação;
- a criança estiver na água ou tiver sofrido afogamento;
- ocorrerem várias crises em sequência;
- a criança tiver menos de 6 meses;
- houver fraqueza persistente em um lado do corpo;
- a criança permanecer muito sonolenta ou difícil de acordar.
Se a criança não estiver respirando normalmente depois da crise, ligue para o SAMU e siga as orientações do atendente. Inicie reanimação cardiopulmonar se for orientado e se souber realizar o procedimento.
O que fazer depois que a crise termina?
Após a convulsão:
- mantenha a criança de lado;
- verifique se está respirando;
- observe se começa a responder;
- permaneça ao lado dela;
- mantenha o ambiente tranquilo;
- não ofereça alimentos, líquidos ou medicamentos até que esteja plenamente desperta;
- anote quanto tempo durou a crise e o que aconteceu antes e depois;
- procure atendimento médico, principalmente se for a primeira ocorrência.
É comum que a criança fique cansada, sonolenta ou confusa por algum tempo depois da crise. Isso é chamado de período pós-crítico.
No entanto, dificuldade persistente para acordar, respiração anormal, fraqueza, fala diferente ou piora do estado geral exigem atendimento imediato.
Como registrar informações importantes?
Se for seguro, tente observar e anotar:
- horário de início;
- duração;
- se houve febre;
- se a criança estava doente;
- se houve queda ou pancada na cabeça;
- se teve acesso a remédios ou produtos químicos;
- se os movimentos começaram em uma parte do corpo;
- se houve perda de consciência;
- como estava a respiração;
- quanto tempo levou para voltar ao comportamento habitual.
Não atrase o acionamento do SAMU para filmar a crise. Se alguém estiver disponível e a criança estiver protegida, um vídeo curto pode ajudar o médico, mas a prioridade é sempre a segurança e o atendimento.
O que é convulsão febril?
A convulsão febril é uma crise associada à febre em crianças, geralmente entre 6 meses e 6 anos, que apresentam predisposição.
Ela pode causar:
- rigidez;
- tremores nos braços e pernas;
- perda de consciência;
- olhar fixo;
- sonolência após o episódio.
Ter uma convulsão febril não significa automaticamente que a criança tenha epilepsia.
Mesmo assim, a primeira crise deve ser avaliada por um médico para confirmar a causa da febre e verificar se há algum sinal de infecção ou outra condição que exija tratamento.
A febre alta sempre causa convulsão?
Não. Nem toda criança com febre alta terá uma convulsão, e a convulsão febril não depende apenas do número indicado no termômetro.
Medicamentos para reduzir a febre podem melhorar o conforto da criança, mas não garantem a prevenção de novas convulsões febris.
Durante a crise:
- não dê antitérmico pela boca;
- não ofereça água;
- não coloque a criança em banho frio;
- não use álcool ou compressas geladas;
- proteja a criança e observe a respiração;
- procure avaliação médica.
Depois que a criança estiver acordada e conseguindo engolir, o médico poderá orientar o tratamento da febre conforme a causa e as características do caso.
Primeira convulsão: precisa ir ao hospital?
Sim. Uma primeira convulsão precisa de avaliação médica, mesmo que tenha durado pouco e a criança pareça bem depois.
O médico poderá investigar:
- febre e infecções;
- uso ou contato com medicamentos;
- intoxicações;
- queda ou trauma;
- alterações de glicose ou sais minerais;
- histórico familiar;
- sinais de doença neurológica.
A decisão sobre exames depende da história e da avaliação física. Nem toda criança precisará dos mesmos testes.
Convulsão é sempre epilepsia?
Não.
A epilepsia é uma condição caracterizada por crises convulsivas recorrentes que não são explicadas por um fator agudo, como febre, intoxicação ou alteração metabólica.
Uma única convulsão não permite concluir que a criança tem epilepsia. O diagnóstico deve ser feito por um médico, geralmente com avaliação pediátrica ou neurológica.
Não suspenda nem inicie medicamentos anticonvulsivantes por conta própria.
Criança com epilepsia teve uma crise. O que fazer?
A família deve seguir o plano de ação elaborado pelo médico da criança.
Durante o episódio:
- proteja a cabeça;
- afaste objetos;
- lateralize a criança;
- marque o tempo;
- não coloque nada na boca;
- observe a respiração.
Algumas crianças têm medicação de resgate prescrita para crises prolongadas. Esse medicamento só deve ser utilizado quando houver orientação individualizada, com dose, via e critérios definidos pelo médico.
Se a crise durar 5 minutos ou mais, repetir-se sem recuperação da consciência ou vier acompanhada de dificuldade para respirar, chame o SAMU 192.
Como prevenir acidentes durante uma crise?
Enquanto aguarda ajuda:
- retire objetos cortantes ou pesados;
- afaste a criança de escadas;
- não coloque a mão perto da boca;
- não tente levantar a criança;
- proteja a cabeça;
- mantenha irmãos e curiosos afastados;
- observe a respiração;
- não deixe a criança sozinha após o episódio.
Se a crise acontecer na cama, retire travesseiros e objetos próximos. Se ocorrer na água, retire a criança com segurança e acione imediatamente o SAMU.
Perguntas frequentes
Devo colocar uma colher na boca da criança?
Não. Essa prática pode causar ferimentos, quebrar dentes e obstruir a respiração. Nunca coloque objetos ou dedos na boca durante a convulsão.
A criança pode engolir a língua?
Não. A criança não engole a língua durante uma crise. Tentar puxá-la ou segurá-la pode machucar a boca e o cuidador.
Devo segurar braços e pernas?
Não. Apenas afaste objetos perigosos e proteja a cabeça. Tentar impedir os movimentos pode causar lesões.
Quanto tempo dura uma convulsão?
A maioria das crises dura até 5 minutos. Se atingir 5 minutos, acione o SAMU 192. Não espere a crise ficar mais longa para pedir ajuda.
Posso dar remédio durante a crise?
Não ofereça nada pela boca enquanto a criança estiver convulsionando ou sonolenta. Medicamentos de resgate somente devem ser usados quando houver prescrição e orientação individualizada.
Toda criança com convulsão febril precisa usar anticonvulsivo?
Não. O tratamento depende da avaliação médica, do tipo de crise, da duração, da idade e de outros fatores. Não inicie tratamento por conta própria.
Quando procurar a emergência mesmo que a crise tenha parado?
Procure atendimento se for a primeira crise, se durar 5 minutos ou mais, se repetir, se a respiração não voltar ao normal, se houver trauma, intoxicação, febre em criança pequena ou alteração persistente da consciência.
Quando procurar a Pediatria Maceió?
A primeira convulsão deve ser avaliada por um médico, mesmo quando a criança parece recuperada.
A Pediatria Maceió pode realizar a avaliação pediátrica inicial e orientar o seguimento adequado. Em crises prolongadas, repetidas ou associadas à alteração respiratória, inconsciência ou trauma importante, acione o SAMU 192 ou procure imediatamente uma emergência hospitalar.
A Pediatria Maceió está localizada na Av. Júlio Marques Luz, 529, Jatiúca, Maceió/AL.
Informações: (82) 3231-7742
Veja também:
- Febre em crianças: quando procurar o pronto atendimento;
- Dificuldade para respirar em crianças: sinais de alerta;
- Queda e pancada na cabeça em crianças: quando procurar atendimento.
Este conteúdo é educativo e não substitui o atendimento de emergência nem uma avaliação médica individual.
Conteúdo sob responsabilidade de Dr. Marcos Gonçalves, médico pediatra e alergista, CRM/AL 6385, RQE 5040.
