Quedas e pancadas na cabeça são comuns na infância. Muitas vezes, o trauma é leve e a criança permanece acordada, interagindo normalmente e sem alterações neurológicas.
Mesmo assim, alguns sinais podem aparecer imediatamente ou nas horas seguintes. Por isso, depois de uma queda, é importante observar a criança com atenção e saber quando procurar atendimento.
A gravidade não depende apenas do tamanho do “galo”. Também é necessário considerar:
- a altura e a força da queda;
- o local atingido;
- se a criança perdeu a consciência;
- se houve vômitos;
- como a criança está se comportando;
- a idade;
- se houve ferimento, sangramento ou deformidade no crânio.
Quando procurar atendimento imediatamente?
Leve a criança para avaliação médica imediata se ocorrer qualquer uma destas situações:
- perda de consciência, mesmo que tenha sido breve;
- três ou mais episódios de vômito;
- sonolência excessiva ou dificuldade para acordar;
- confusão, irritabilidade intensa ou comportamento muito diferente do habitual;
- fala enrolada ou dificuldade para responder;
- convulsão;
- fraqueza em um braço ou uma perna;
- dificuldade para andar ou manter o equilíbrio;
- desmaio;
- dor de cabeça forte ou que está piorando;
- visão dupla ou movimentos anormais dos olhos;
- sangue ou líquido claro saindo pelo nariz ou ouvido;
- ferimento profundo, deformidade ou afundamento no crânio;
- sangramento que não para;
- piora progressiva depois da queda;
- suspeita de que a criança não está agindo normalmente.
Em crianças menores de 2 anos, também merecem atenção especial:
- choro inconsolável;
- recusa persistente para mamar ou comer;
- mudança importante de comportamento;
- moleira abaulada;
- sonolência fora do habitual.
Em situações como convulsão, desmaio prolongado, dificuldade para respirar, alteração importante da consciência ou trauma de grande intensidade, acione o SAMU 192.
Quais quedas são mais preocupantes?
O risco pode ser maior quando a criança:
- cai de uma altura significativa;
- é atingida por um objeto pesado ou em alta velocidade;
- sofre acidente de bicicleta, moto ou carro;
- é atropelada;
- cai em uma escada;
- é arremessada ou projetada;
- apresenta suspeita de lesão no pescoço ou na coluna;
- bate a cabeça após um impacto muito forte.
A avaliação do risco depende da idade, da altura e do tipo de superfície, da forma como a cabeça foi atingida e do estado da criança depois do trauma.
Não é possível determinar a gravidade apenas observando o tamanho do inchaço.
O que fazer logo depois da pancada?
Se a criança está acordada e aparentemente bem:
- mantenha a calma;
- interrompa a brincadeira ou atividade;
- observe se ela reconhece as pessoas e responde normalmente;
- verifique se há ferimentos ou sangramento;
- faça compressa fria sobre o inchaço por aproximadamente 10 a 20 minutos, protegendo a pele com um tecido;
- mantenha um adulto responsável por perto;
- observe mudanças no comportamento, no equilíbrio, na fala e na respiração;
- procure orientação médica se houver dúvida.
Se houver suspeita de trauma grave, dor no pescoço ou lesão na coluna, evite movimentar a criança desnecessariamente e acione o SAMU.
Não tente “testar” a criança fazendo-a correr, pular ou voltar imediatamente à brincadeira.
A criança pode dormir depois de bater a cabeça?
Depois de um trauma leve já avaliado, não é obrigatório manter a criança acordada nem acordá-la repetidamente durante toda a noite.
O sono, por si só, não significa que houve piora. O importante é que um adulto acompanhe a criança e observe se, ao despertar naturalmente, ela reconhece o ambiente, responde adequadamente e se comporta como de costume.
Dificuldade para acordar, sonolência excessiva ou alteração importante do comportamento são sinais de alerta. Nessa situação, procure atendimento imediatamente.
Se a queda foi forte, houve perda de consciência, vômitos, comportamento anormal ou qualquer dúvida relevante, a criança deve ser avaliada por um profissional antes de permanecer em observação em casa.
O que não fazer após uma queda?
Evite:
- sacudir a criança;
- levantar ou movimentar bruscamente uma criança que pode ter lesão no pescoço;
- oferecer medicamentos por conta própria;
- permitir que volte imediatamente a correr, brincar ou praticar esportes;
- ignorar mudanças de comportamento;
- presumir que está tudo bem apenas porque o “galo” é pequeno;
- tentar fechar ferimentos profundos em casa;
- pressionar uma área com possível afundamento do crânio;
- manter a criança sozinha durante as primeiras horas;
- decidir sozinho que é necessário ou desnecessário fazer tomografia.
A necessidade de exames depende da avaliação clínica, da idade, dos sintomas e do mecanismo do trauma. Nem toda queda exige tomografia, mas alguns sinais exigem investigação rápida.
Por quanto tempo observar a criança?
As primeiras 24 a 48 horas são especialmente importantes após um traumatismo craniano.
Durante esse período:
- mantenha a criança acompanhada por um adulto;
- observe a evolução da dor;
- perceba se ela está interagindo normalmente;
- verifique se consegue andar e falar como de costume;
- observe vômitos, tontura, sonolência ou alterações visuais;
- evite brincadeiras de impacto e esportes de contato;
- procure atendimento imediatamente se surgir qualquer sinal de alerta.
A criança pode precisar de mais tempo sem esportes ou atividades de impacto se apresentar sintomas de concussão, como dor de cabeça, tontura, confusão, náusea, dificuldade de concentração ou sensibilidade à luz.
O retorno à escola, às brincadeiras e aos esportes deve ser gradual e, quando houver sintomas, orientado por um profissional.
O que é concussão?
A concussão é uma alteração temporária do funcionamento do cérebro causada por um impacto. Ela pode acontecer mesmo sem perda de consciência e sem ferimento aparente.
Depois de uma pancada, podem surgir:
- dor de cabeça;
- tontura;
- náusea;
- sensibilidade à luz ou ao barulho;
- dificuldade de concentração;
- lentidão para responder;
- irritabilidade;
- cansaço;
- alteração do sono;
- esquecimento do que aconteceu.
Esses sintomas precisam ser acompanhados. Se forem intensos, piorarem ou estiverem associados a algum sinal de alerta, procure atendimento.
Toda criança precisa fazer tomografia?
Não. A tomografia é indicada pelo médico quando os sintomas, o exame físico, a idade e o mecanismo do trauma sugerem risco maior de lesão intracraniana.
Fazer o exame sem indicação não é necessariamente mais seguro. A decisão precisa equilibrar o risco de uma lesão não identificada e os riscos relacionados à exposição à radiação.
Somente a avaliação clínica pode definir se a criança precisa de observação, exame de imagem, encaminhamento hospitalar ou acompanhamento em casa.
E se aparecer apenas um “galo”?
Um inchaço pequeno, isolado, em uma criança que está acordada, agindo normalmente e sem outros sintomas pode ser acompanhado com compressa fria e supervisão.
Ainda assim, procure avaliação se:
- o inchaço for muito grande;
- estiver aumentando;
- houver ferimento aberto;
- o local parecer afundado;
- a dor for intensa;
- a criança tiver menos de 2 anos e estiver diferente do habitual;
- a queda tiver sido de grande impacto;
- houver qualquer dúvida sobre o estado da criança.
O tamanho do galo não permite determinar sozinho a gravidade do trauma.
Como prevenir quedas e pancadas?
Alguns cuidados reduzem o risco de acidentes:
- use berço adequado e não deixe objetos soltos ao alcance do bebê;
- instale telas ou grades de proteção em janelas;
- mantenha escadas protegidas;
- não deixe a criança sozinha em camas, sofás ou trocadores;
- use equipamentos de proteção em bicicleta, patins e skate;
- supervisione brincadeiras em parquinhos;
- mantenha o piso seco e livre de obstáculos;
- utilize cadeirinha adequada no carro;
- não permita que crianças pequenas brinquem em locais elevados;
- oriente irmãos e cuidadores sobre os riscos de sacudir uma criança.
Nunca sacuda um bebê ou uma criança. A cabeça infantil é mais vulnerável, e movimentos bruscos podem provocar lesões graves.
Perguntas frequentes
Se a criança não desmaiou, está tudo bem?
Não necessariamente. A perda de consciência é um sinal de alerta, mas uma criança pode ter uma lesão importante sem desmaiar. Vômitos repetidos, sonolência excessiva, convulsão, confusão ou dificuldade para andar também exigem avaliação.
Um único vômito depois da queda é grave?
Um episódio isolado precisa ser interpretado junto com a idade, o mecanismo da queda e o comportamento da criança. Vômitos repetidos são um sinal de alerta importante. Se houver dúvida ou outros sintomas, procure atendimento.
Posso dar remédio para dor?
Administre medicamentos somente conforme orientação de um profissional que conheça o caso. Não use remédios por conta própria para tentar mascarar uma piora.
A criança pode voltar ao esporte no mesmo dia?
Não é recomendado retornar imediatamente a esportes ou brincadeiras de impacto depois de uma pancada na cabeça, especialmente se houver dor, tontura, náusea, confusão ou qualquer outro sintoma.
Quando chamar o SAMU?
Acione o SAMU 192 se a criança estiver inconsciente, convulsionando, com dificuldade para respirar, muito sonolenta, confusa, com fraqueza, com sangramento importante ou após um trauma de grande intensidade.
Quando procurar a Pediatria Maceió?
A criança deve ser avaliada quando houver sinais de alerta, queda de maior impacto, sintomas persistentes ou dúvida sobre a gravidade do trauma.
Em situações graves, como convulsão, perda de consciência prolongada, alteração importante da respiração ou dificuldade para acordar, acione o SAMU 192 ou procure imediatamente uma emergência hospitalar.
A Pediatria Maceió está localizada na Av. Júlio Marques Luz, 529, Jatiúca, Maceió/AL.
Informações: (82) 3231-7742
Veja também:
- Engasgo em crianças: o que fazer e quando procurar atendimento;
- Dificuldade para respirar em crianças: sinais de alerta;
- Intoxicação infantil: o que fazer após ingerir remédio ou produto de limpeza.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação médica individual.
Conteúdo sob responsabilidade de Dr. Marcos Gonçalves, médico pediatra e alergista, CRM/AL 6385, RQE 5040.
Fontes consultadas
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Traumatismo Cranioencefálico Leve na Infância
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Trauma Cranioencefálico
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Guia sobre traumatismo cranioencefálico grave
- Secretaria de Saúde de Alagoas — Pancadas na cabeça devem sempre ser observadas
- Secretaria de Saúde de Alagoas — Urgência e Emergência
