Afogamento infantil: como prevenir e o que fazer até o socorro chegar

O afogamento acontece quando a submersão ou imersão em um líquido compromete a respiração.

Crianças pequenas podem se afogar em poucos centímetros de água e em poucos segundos. O acidente pode ocorrer em:

  • piscinas;
  • praias;
  • rios;
  • lagoas;
  • banheiras;
  • baldes;
  • bacias;
  • tanques;
  • vasos sanitários;
  • caixas-d’água;
  • piscinas infláveis ou portáteis.

Em Alagoas, o Corpo de Bombeiros registrou 92 casos de afogamento e dois óbitos durante a Operação Verão 2025/2026, além de mais de 61 mil ações preventivas.

Esses números reforçam que a prevenção precisa acontecer antes de a criança chegar perto da água.

Como prevenir o afogamento em casa?

Supervisão constante

A criança deve permanecer sempre sob supervisão direta de um adulto responsável.

Na piscina, banheira ou perto de qualquer reservatório, o adulto deve ficar a, no máximo, um braço de distância. Não basta observar de outro cômodo ou acompanhar pela câmera.

O cuidador responsável não deve:

  • usar o celular enquanto supervisiona;
  • ler;
  • dormir;
  • consumir álcool;
  • conversar distraidamente;
  • deixar outra criança responsável pela supervisão;
  • sair “por um instante” para buscar objetos.

Mesmo crianças que sabem nadar precisam de supervisão.

Baldes, bacias e banheiras

  • esvazie baldes, bacias e piscinas portáteis imediatamente após o uso;
  • guarde recipientes virados para baixo e fora do alcance;
  • nunca deixe o bebê sozinho na banheira;
  • mantenha a tampa do vaso sanitário fechada;
  • considere travas para o vaso quando houver crianças pequenas;
  • não deixe brinquedos próximos a recipientes com água.

Uma pequena quantidade de água pode ser suficiente para uma criança pequena perder o equilíbrio e não conseguir sair.

Piscinas

A piscina deve ter:

  • barreira física nos quatro lados;
  • cerca difícil de escalar;
  • portão com trava;
  • acesso controlado;
  • ralos e sistemas de sucção protegidos;
  • equipamentos de resgate disponíveis para adultos;
  • supervisão próxima durante todo o uso.

Piscinas portáteis também precisam ser esvaziadas e desmontadas depois da brincadeira. Não confie apenas em uma capa ou lona para impedir o acesso da criança.

Boias e coletes

Boias de braço e brinquedos infláveis não substituem supervisão e podem transmitir uma falsa sensação de segurança.

Para passeios de barco, atividades em águas abertas ou situações específicas, utilize colete salva-vidas adequado ao peso e ao tamanho da criança.

Mesmo com colete, a criança nunca deve ficar sozinha na água.

Como prevenir acidentes na praia?

Na praia:

  • escolha áreas com guarda-vidas;
  • respeite bandeiras, placas e orientações dos profissionais;
  • mantenha a criança próxima;
  • use pulseira de identificação;
  • ensine a criança a não entrar no mar sozinha;
  • evite locais com correnteza;
  • não permita brincadeiras de “dar caldo”;
  • não deixe a criança mergulhar em áreas desconhecidas;
  • combine um ponto de encontro para o caso de separação;
  • mantenha atenção redobrada em dias de grande movimento.

A criança deve ser ensinada a pedir ajuda imediatamente se cair, perder o equilíbrio ou sentir dificuldade para voltar à areia.

O que são correntes de retorno?

Correntes de retorno são fluxos de água que podem levar a pessoa para longe da faixa rasa.

No mar, alguns indícios podem incluir:

  • água mais escura;
  • trecho com menos ondas quebrando;
  • água com aparência diferente ao redor;
  • canal entre bancos de areia;
  • espuma ou areia sendo levada para o mar.

A sinalização varia conforme a praia. Ao chegar, procure o guarda-vidas e pergunte quais áreas são mais seguras.

Se uma pessoa for puxada por uma corrente:

  • mantenha a calma;
  • não nade diretamente contra a corrente;
  • flutue para recuperar o fôlego;
  • tente nadar paralelamente à praia;
  • levante os braços e peça ajuda;
  • aguarde o auxílio do guarda-vidas.

Como agir se alguém estiver se afogando?

O resgate deve ser feito sem transformar o cuidador em uma segunda vítima.

Se a criança estiver em dificuldade na água:

  1. chame imediatamente um guarda-vidas;
  2. ligue para o Corpo de Bombeiros pelo 193;
  3. acione o SAMU pelo 192;
  4. estenda um objeto comprido, como um cabo ou corda;
  5. jogue um objeto flutuante para que a criança se apoie;
  6. puxe a criança somente se isso puder ser feito sem entrar em risco.

Não entre na água para tentar um resgate se você não tiver treinamento e equipamento adequados.

Muitos acidentes acontecem quando uma pessoa tenta salvar outra sem saber nadar ou sem perceber a força da correnteza.

O que fazer depois que a criança é retirada da água?

Depois de retirar a criança da água:

  • coloque-a em uma superfície segura;
  • verifique se responde;
  • observe se está respirando normalmente;
  • peça ajuda e mantenha o telefone no viva-voz;
  • acione 193 e 192;
  • siga as orientações do atendente;
  • se a criança não responder ou não respirar normalmente, inicie reanimação cardiopulmonar se tiver treinamento ou conforme orientação recebida;
  • use um desfibrilador automático, se estiver disponível e houver alguém treinado para utilizá-lo.

Se a criança estiver respirando normalmente, mantenha-a de lado, aqueça-a com uma manta e aguarde o socorro.

Não deixe a criança sozinha.

O que não fazer após um afogamento?

Não:

  • pendure a criança de cabeça para baixo;
  • tente “tirar a água” balançando o corpo;
  • pressione a barriga ou o tórax para expulsar água;
  • espere a criança melhorar sem avaliação;
  • ofereça comida, bebida ou medicamentos enquanto estiver sonolenta;
  • deixe a criança voltar para a água;
  • minimize o episódio porque ela parece bem;
  • transporte a criança sozinho se ela estiver inconsciente ou respirando mal, salvo orientação do serviço de emergência;
  • entre novamente na água sem segurança para buscar objetos.

A prioridade é respiração, acionamento do socorro e reanimação quando indicada.

Quando levar a criança ao hospital?

Toda criança que apresentou submersão, dificuldade para respirar, tosse persistente ou alteração de consciência deve ser avaliada imediatamente.

Procure atendimento de emergência se houver:

  • tosse depois de sair da água;
  • respiração rápida ou difícil;
  • chiado;
  • lábios arroxeados;
  • sonolência;
  • confusão;
  • vômitos;
  • dor no peito;
  • fraqueza;
  • desmaio;
  • convulsão;
  • comportamento diferente;
  • necessidade de reanimação;
  • permanência submersa por tempo desconhecido;
  • suspeita de trauma na cabeça ou na coluna.

Mesmo que a criança pareça recuperada, uma avaliação médica pode ser necessária após um episódio de afogamento. Alterações respiratórias podem surgir ou piorar depois do acidente.

Mergulho em água rasa e trauma

Mergulhar em água desconhecida ou rasa pode causar pancadas na cabeça e lesões na coluna.

Se a criança sofrer um acidente de mergulho:

  • não force o pescoço;
  • não tente fazê-la sentar;
  • não teste se consegue andar;
  • mantenha a cabeça e o tronco alinhados, se for possível sem atrasar o socorro;
  • acione o SAMU 192 e o Corpo de Bombeiros 193;
  • movimente-a somente se houver risco imediato no local ou se for necessário iniciar atendimento básico.

A remoção de uma vítima com possível trauma de coluna deve ser feita por equipe treinada sempre que possível.

A criança pode se afogar mesmo sabendo nadar?

Sim.

Saber nadar não elimina o risco de:

  • correnteza;
  • cansaço;
  • sucção de ralos;
  • quedas inesperadas;
  • brincadeiras perigosas;
  • mergulho em água rasa;
  • perda de orientação;
  • desmaio;
  • convulsão;
  • mudança repentina das condições do mar.

A supervisão continua necessária.

Como conversar com a criança sobre segurança na água?

Ensine regras simples:

  • nunca entrar na água sem avisar um adulto;
  • não correr perto da piscina;
  • não empurrar outras crianças;
  • não brincar de prender ou afundar alguém;
  • não mergulhar em água desconhecida;
  • respeitar placas e bandeiras;
  • pedir ajuda se sentir cansaço ou medo;
  • não nadar sozinho;
  • não se aproximar de rios, canais ou praias sem supervisão.

As regras devem ser repetidas antes de cada atividade, principalmente em viagens, festas e locais desconhecidos.

Perguntas frequentes

Uma piscina pequena também oferece risco?

Sim. Piscinas portáteis, baldes, bacias e banheiras podem causar afogamento em crianças pequenas. Após o uso, esvazie e guarde esses recipientes.

Boia de braço protege contra afogamento?

Não. Boias de braço e brinquedos infláveis não substituem supervisão e podem sair do lugar ou virar. Para atividades em águas abertas, use colete salva-vidas adequado.

Posso deixar uma criança maior olhando o irmão menor?

Não. A supervisão deve ser feita por um adulto responsável e atento. Uma criança não deve ficar encarregada de outra perto da água.

Se a criança tossiu e voltou a brincar, ainda precisa ser avaliada?

Tosse persistente, dificuldade para respirar, sonolência, vômitos ou comportamento diferente exigem atendimento imediato. Mesmo quando parece bem, uma criança que passou por um episódio de afogamento pode precisar de avaliação médica.

Quando chamar o SAMU?

Ligue para o SAMU 192 se a criança não responder, não respirar normalmente, estiver arroxeada, apresentar convulsão, dificuldade respiratória, desmaio ou qualquer piora após a retirada da água.

Quando chamar os Bombeiros?

Ligue para o Corpo de Bombeiros pelo 193 em situações de resgate na água, correnteza, praia, piscina ou quando houver necessidade de equipe especializada para retirar a vítima com segurança.

Quando procurar a Pediatria Maceió?

Após um episódio de afogamento ou submersão, procure avaliação médica, especialmente se a criança tossiu, teve dificuldade para respirar, ficou sonolenta ou apresentou qualquer mudança de comportamento.

Em situações graves, acione imediatamente o SAMU 192 e o Corpo de Bombeiros 193.

A Pediatria Maceió está localizada na Av. Júlio Marques Luz, 529, Jatiúca, Maceió/AL.

Informações: (82) 3231-7742

Veja também:

Este conteúdo é educativo e não substitui o treinamento de salvamento aquático, o atendimento de emergência ou uma avaliação médica individual.
Conteúdo sob responsabilidade de Dr. Marcos Gonçalves, médico pediatra e alergista, CRM/AL 6385, RQE 5040.

Fontes consultadas

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